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segunda-feira, maio 22, 2006

O coração tem mais quartos que uma casa de putas...

A frase, de Gabriel Garcia Marquez, parece vestir que nem uma luva em certas personalidades, que por aí andam à deriva.
Um dia, ao acordar, há corações que batem num sentido. A paixão inflama-se e tudo parece cor-de-rosa. Tão cor-de-rosa que até dá medo acreditar. Passado o primeiro embate, o medo começa a esvair-se e, do outro lado, o coração que esperou, com todos os quartos fechados, menos um, entrega-se. Desta vez é que vai ser! Pensa-se, na mais pura e simples ilusão.
Os corpos colam-se, numa entrega que nem parece real, de tão maravilhado está aquele quarto que se desvenda. "Porque é que não me dás um beijo como deve ser?", perguntou ele, o dono do coração-bordel, como que a fechar todos os outros quartos e a dar-me permissão para entrar naquele que é o meu.
Nem hesitei, apesar do medo. O medo que é sempre igual e gela o espírito, só de pensar que após a pancada há-de ficar uma nódoa negra e aquela dor penetrante, que leva horas, talvez dias, a passar.
Naquela noite a vertigem tomou conta de tudo. Tal como no momento do orgasmo, senti uma espécie de pequena morte, que me levou para fora de tudo. Ali só existiamos os dois e as sensações que partilhávamos.
Depois de tudo - não posso dizer depois de fazermos amor, porque para dançar o tango são precisos dois - ele adormeceu profundamente. Não me ofendi. Afinal, tal como numa ceia chinesa, a satisfação tinha tomado conta dele. E tudo o que me preocupa é que se sinta bem.
Fumei a beata que restou da noite de copos, na sala dele. Sei que de manhã, ao acordar, come sempre um iogurte e fuma... Estava lá o cigarro para ele.
Pude abraçá-lo. Desta vez, apesar de o medo ter voltado a tomar conta de mim nesse momento, não me enxutou.
Acordámos juntos. Almoçámos juntos. Foi estranha toda esta partilha, porque nunca antes tinha sido assim.
Estava estupfacta. Estaria eminente o fecho do bordel ou seria só uma ilusão?
Era uma ilusão. Ligou-me nessa noite. Ligou-me no dia seguinte. E no outro. Deixou de ligar. Na semana seguinte, apesar do frio do receio, fui eu que lhe liguei. Já tinha dado aquela distância de segurança capaz de assegurar que não estava a ser maçadora. O amor é maçador, quando do outro lado não existe a tão doce coincidência de vontades.
Enfastiou-se. Nunca mais ligou. Afinal, dentro dos quartos do seu coração já não estava eu. Creio que nunca passeio do hall de entrada dessa grande casa. No bordel, outras fantasias ganham corpo. Talvez outras mulheres entrem e saiam à mesma velocidade com que me magoa, mas com que me faz sempre acreditar.
Vi-o hoje. Indiferente, começou por não me dirigir palavra. Minutos depois falou-me. Pouco. De forma asséptica e profissional. Até à próxima noite de vertigem na sala, ao sabor da vodka ice-tea e dos Monty Phyton. (És a única pessoa que gosta de ver isto comigo... - disse-me) Pois é. O amor é um lugar estranho, uma doença que corroi e possui, quando em vez da doce coincidência se dá a amarga distinção de valores e desejos.
Amo-te, de qualquer das maneiras, e vou tatuar o teu nome no fundo das costas. Sei que gostas de as ver quando faço amor contigo.

quarta-feira, março 22, 2006

Diário de uma vida atribulada 

Um amigo meu diz que a vida dele é como um autocarro, onde as pessoas vão entrando e saindo nas paragens que querem. É um cliché, mas serve na perfeição para descrever fases da nossa existência, mais ou menos atribuladas.
Sábado à noite, febre, luzes, roupas justas e muito alcool à mistura, conheci alguém especial. Daquelas coisas que acontecem inesperadamente, e que até nos fazem coçar o alto da cabeça e pensar: "ele há coisas do caraças!" Ele apareceu por trás, na pista de dança. É daqueles rapazes cheio de musculos, para os quais não se pensa em olhar duas vezes. Mas, tal a insistencia da minha maninha, até olhei três ou quatro vezes. No final, perante a insistência dela, que trata, afinal, de zelar pela minha vida amorosa, lá lhe deixei um papelinho com o meu contacto. Foi a pedra de toque. O papelinho, habilmente colocado no bolso, chamou-lhe a atenção. Primeiro porque não percebeu que era um papelinho, tal foi a mão ágil. Ligou-me horas depois. Deixámos para mais tarde. Fomos sair, essas horas mais tarde, no dia seguinte. No Casino, as luzes vermelhas alucinavam ainda mais perante aquele rapaz, muito mais bonito do que eu tinha imaginado. Sim, imaginado, disse bem, porque no meio da discoteca, confesso, nem o tinha visto bem. Aliás, a primeira sensação que tive foi que ele não era ele mas sim outro... Que estranho. Certo é que pouco depois chegou o primeiro beijo, após aquela empatia dos três minutos, da qual os entendidos nestas coisas tanto falam. É doce, fala num tom calmo e baixo... Mas, curiosamente, não tenho dificuldades em ouvi-lo.
Abraçou-me. Tem uns braços fortes, um tronco perfeito, em tom de brincadeira já o descrevi à minha maninha: "É como andar com uma falésia da Caparica atrás". Sinto-me bem nos seus braços, protegida do mundo. Ainda passou tão pouco tempo e dá-me tanto mimo, que dá medo. Medo de me apaixonar e a vida correr de novo ao contrário. Mas, por agora, está a ser um sentimento ao nível dos melhores que já tive.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Há dias assim 

Há dias em que não devíamos sair de casa. Esta é uma daquelas frases feitas que sempre me irritou, mas que hoje tem toda a propriedade. Parece que a vida está toda ao contrário. Os sorrisos estão desencontrados, as amizades valem o que valem, e parece que hoje em dia são poucas as que valem muito. O amor está desaparecido, algures, e pior que isso, em parte certa.
Tal como um punhado de areia, ele esvai-se entre as mãos. Quanto maior é a intensidade mais vontade dá de aperta-lo, como as bochechas de um bebé. Mas, tal como um punhado de areia, ou um bebé que se sente desconfortável, ele foge. Desaparece entre os dedos... ou esperneia.
Queria poder olhar-te nos olhos e dizer-te que te amo. Não tenho coragem. Há um medo, gelado, de que corras ainda para mais longe.
Queria despedir-me de ti, ao fim de mais um dia, e dar-te um beijo, ao de leve, nos lábios. Tenho medo que gelem, que se desviem, que me lances um olhar de raiva, enojado.
Queria a tua companhia. Queria que me ouvisses. Pensei que um dia te poderias preocupar comigo, querer saber o que penso e o que sinto. Mas não.
Tu dizes que és meu amigo. A amizade vale muito pouco. Sobretudo quando, tal como no crime perfeito, não existem provas dela.
Tu dizes que gostas de mim. No outro dia beijaste-me no alto da cabeça, como se gostasses de mim. Pensei que era desta. Não era nada de especial, era só a tua companhia. Pensei que finalmente nos sentaríamos à mesma mesa. Que, nesse dia, tinhas vontade de saber o que sinto. O que penso. Pensava que confiavas em mim, mas foges. Tens medo do meu amor. Pensas que continua a ser uma paixão, daquelas malucas, que nos fazem dizer disparates e, pior, fazê-los. Esquece isso. Eu amo-te. Tudo mudou.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Devolve-me os laços... 

Na rádio passa aquela música maravilhosa dos Toranja. Aquela que me dá sempre vontade de gritar ao mundo o amor... ou a paixão... Aquele turbilhão de sentimentos que nunca sabemos bem como explicar, mas que nos envolvem, como uma chuva molezinha. Daquela que parece não molhar, mas quando damos por ela chega-nos aos ossos.
É um sentimento inexplicável, que só pode ser compreendido na doce coincidência de vontades. Ou na temível oposição de desejos. Mas tem o seu valor, quanto mais não seja pela sensação de vida. A paixão faz ver que é possível os sentimentos fluirem, mesmo que depois fiquem entupidos no nosso coração, sem ter para onde escoar. E eu tenho aqui tantos... que estão quase a estragar, como diz o outro.
Ele é bonito. Tem uns cabelos finos, desalinhados, que lhe dão aquele estilo meio selvagem... desalinhado, é isso mesmo. Fica ainda mais bonito quando os olhos brilham. Nessas alturas é porque gostou muito de alguém coisa. Conseguiu fazer algo que queria. Teve um momento de felicidade e isso inunda-lhe o rosto.
Tem uma expressão por vezes triste, apática. A vida por vezes tem sido madrasta, pega-lhe partidas... Mas não deixa de correr, mole, melancólica, também como aquela chuva miudinha, que persiste, não o larga, chega-lhe aos ossos. Cheira bem. Cheira a ele próprio. Não sei descrever o cheiro, brutalmente masculino, mas ao mesmo tempo inocente, meio miúdo, como ele. É o cheiro dos inocentes, dos que mesmo magoando o fazem desajeitadamente, sem intenção.
As mãos são longas. Os dedos finos. A voz é rouca, não parece dele. Ou parece? É tão contraditório como apaixonante, nos seus laços infindáveis, tramas de uma vida que não se quer ver resolvida. Devolve-me os laços, meu amor...

terça-feira, setembro 20, 2005

375 euros 

375 euros. Este é o valor, mais coisa menos coisa, do nosso ordenado mínimo nacional. Mas este é também o valor a pagar por uma dormida num resort, magnífico é certo, do Algarve. 375 euros. Um quarto, com o conforto do quarto de qualquer habitação digna, apenas a casa de banho é um pouco maior que o normal e tem relvado à frente...
375 euros é, também, certamente, o que auferem as laboriosas camareiras, que olham de soslaio hóspedes mais jovens e sem tiques de nobreza.
É confortável. É chique. Sobretudo, é confortável fazer uma sesta na relva que não a do jardim público mais próximo, sem possibilidade de nos depararmos com um presente inesperado que não uma flor caída do quarto do lado ou um impecável céu estrelado de Agosto. Mas não deixa de indignar, pagar por um quarto o mesmo que, mensalmente, pelo meu magnífico apartamento com vista de Tejo. Sobretudo, faz pensar em como (sobre)vivem aquelas camareiras, algo que já me tinha ocorrido, por pagar os tais 375 euros, mas por mês...

Hasta,

Vossa, Elisabete

quinta-feira, julho 14, 2005

As minhas aventuras no reino de Portugal e dos Algarves 

Caras amigas,

Mais uma vez estou de partida para o Algarve. Espécie de Pedrouços dos tempos modernos, o Algarve é o local de veraneio para tudo o que é côrte - leia-se gente gira e bem, ou talvez não - cá do burgo. A minha vida é feita do contraste total entre a minha realidade e aquela para onde viajo todos os dias. Os filmes europeus, os concertos do Forum Lisboa ou da Aula Magna, os Festivais de Verão e os copos no Bairro Alto fazem a minha felicidade. A dada altura, dei por mim a entrar na Kapital e no Clube T. A ir a jantares onde se comem coisas afrancesadas com nomes estranhos e a conversar habilmente sobre a roupa da moda, as melhores praias para ver e ser visto ou "gente civilizadíssima e gira". Para não referir os famosos "eventos", nome que se dá a qualquer ajuntamento com mais de 10 "pessoas giras", o que no meu léxico não passa de uma festarola. Afinal, a gente gira faz o mesmo que nós, percebi, após algum treino. Menos, claro, ver filmes europeus, concertos em locais mais ou menos suspeitos e ir a festivais de verão (excepto se houver lugar garantido na área vip).
Encaminho-me para mais um longo e duro fim-de-semana no reino da gente gira. Os eventos sucedem-se e para mim têm todos uma aura de prova de enduro. É uma canseira. Mas não nego que é divertido. Afinal, além da roupa há que vestir a camisola de uma realidade diferente. É interessante essa envolvência e não nego que me sinto um delicioso panado, daqueles com uma crosta brilhante e dourada por fora. E todo o sabor lá dentro, mas que só é desvendado quando bem me apetece.
É divertido fazer piadas reaccionárias. É engraçado adoptar um código de linguagem diferente do habitual. É desconcertante reencontrar os amigos e partilhar com eles as minhas aventuras. Mas mais e mais divertido é estar de calcinhas vincadas e cheia de dourados sentada no meio do chão após um longo e árduo dia de trabalho. É a crosta do panado a desfazer-se e o sabor a ganhar forma.
Já só faltam alguns minutos para regressar a casa. Olhar o rio da minha janela. Descongelar algo com ar alucinado e preparar ali na hora um bom petisco. Abrir mais uma garrafa de vinho e ficar embalada na minha cadeira de balouço e de sonhos. É hora de ligar aos amigos, fazer um refresh no vocabulário e descer para a minha realidade. A vida é uma constante surpresa e é nisso que reside a sua beleza, diziam-me no outro dia. A minha é uma constante telenovela e é nisso que reside a sua graça, digo eu. Só me falta mesmo encontrar o tema musical mais de acordo com os vários episódios...

Beijos, vossa Elisabete

quinta-feira, junho 16, 2005

I'm in love again 

É bonita a sensação de ter as pernas a tremer e borboletas a voar no estômago. É bonito olhar nos olhos, frágeis, delicados, com aquele brilho próprio de quem sabe o que vai dentro da alma dos outros, mesmo sem querer. Caras amigas, I'm in love again...
Mãos que tremem e ficam molhadas de nervosismo. O coração que dispara só pela ideia do outro, a voz que não sai do ouvido, as feições que são perfeitas na imperfeição, a vontade de fazer alguém feliz e nessa busca encontrar a felicidade. É bonito voltar à adolescência, nas atitudes parvinhas de menina apaixonada, com a inocência da primeira vez, esquecendo as feridas passadas, como se nada fossem. Diz quem sabe que as dores de parto são das mais violentas que existem, mas que quando temos o bebé cá fora é como se nada fosse. Esquece-se o desespero de pensar que aquela dor lancinante nunca vai acabar. Não sou mãe - é o meu grande sonho - mas acredito que com o amor se passa algo semelhante. As dores do amor são infinitas quando não encontramos no outro os sinais do mesmo estado de alma. Mas de cada vez que se recupera o tremor nas pernas é como se nunca tivesse passado por tamanhas dores, como se o amor, por grande que tinha sido, e abruptamente acabado, nunca tivesse magoado. O mundo parece mais bonito. Apetece fazer bem, acarinhar, falar com meiguice, preparar o pequeno-almoço com todos os mimos, fazer esse outro alguém feliz. Tão feliz que também ele esqueça que alguma vez sentiu as dores desse parto tão difícil que é o amor.

Com amor, da vossa Elisabete

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